Como são os valores de uma família sem (um) Deus

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Este é um ponto de vista sobre o artigo “Como são os valores de uma família sem Deus / Quem educa melhor seus filhos: Ateus ou Crentes?” que foi escrito em Los Angeles no LA Times em inglês, e traduzido para o portugues neste link.

Alguns comentários sobre o artigo acima (vale a pena a leitura do artigo).

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É um fato o crescimento de ateus e agnósticos. Acredito que isso muito se deve ao fato de vivermos séculos tendo apenas duas opções: a desgraça da sociedade ou o fingimento de que acreditamos na religião predominante.

Com a evolução da inteligência e o acesso a livros sendo mais fácil, chegamos num ponto em que meias verdades não satisfazem mais o homem moderno.

Agora dois pontos são importantes: é impossível ser ateu e consistentemente feliz. O ateísmo entrega pra você uma vida onde a moral e a esperança é baseada ou no rolar dos dados ou em regras inventadas para explicar a capacidade de qualquer animal de ter moralidade.

Em um mundo sem Deus, quem é o responsável por decidir quais são os valores certos e quais são os errados? Não pode haver um certo e errado objetivo, apenas valores cultural e pessoalmente relativos.

Isso quer dizer que é impossível condenar a guerra, a opressão ou o crime como mal. Também é impossível louvar a generosidade, sacrificio próprio e amor como coisas boas.

Matar alguém ou amar alguém seria moralmente equivalente. Porque num universo sem um Deus, o bem e o mal não existem – há apenas a fraca e sem sentido existência, e não há ninguém para te dizer se voce está certo ou errado. “Se não há imortalidade, então todas as coisas são permitidas – Fyodor Dostoyevsky”

Um ateu não pode em momento algum contrariar decisões como a dos russos ou alemães na segunda guerra mundial, porque se não ha um Deus, e se não ha certo ou errado definidos por um ser superior, talvez as decisões desses lideres ‘imorais’ seja apenas o resultado de como eles ‘evoluíram’. Esse é o principal ponto de dificuldade no discurso de Sartre na sua tese “Existencialismo é um Humanismo”, ele tem muita dificuldade para tentar esclarecer a contradição entre a negação de valores pre estabelecidos por uma divindade e a necessidade interior dele de afirmar que os humanos tem valores.

Pra terminar, acho engraçado que o artigo fale que os ateus tem a ‘Regra de Ouro, que significa tratar os outros como gostaríamos que fôssemos tratados’

Dois mil anos atrás, no meio da maior crise religiosa que os judeus já tiveram, Jesus teve o mesmo discurso: “resumindo tudo que eu tentei te ensinar: ame a Deus acima de tudo e ao próximo como se fosse você mesmo”. Engraçado o homem moderno estar ‘re criando’ o discurso do Cristo para de alguma maneira descaracterizar a possibilidade do mesmo contribuir com uma sociedade melhor.

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