(in)Acreditável

Ao duvidar da ressurreição você fica com um problemão nas mãos ao tentar explicar os eventos que aconteceram no primeiro século

Posted by Fellipe Brito on March 5, 2018

A maioria dos filósofos atuais partem do principio de que milagres simplesmente não acontecem e isso torna a alegação da ressurreição impossível. Entretanto ao duvidar da ressurreição você fica com um problemão nas mãos ao tentar explicar os eventos que aconteceram no primeiro século.

Como este assunto é muito longo, eu vou quebrar em diversos mini-posts. O objetivo é que você possa lê-los em menos de 5 minutos. Eles por si só não sustentam muita crítica, mas quando somados constróem um caso muito forte em favor da ressurreição como fato histórico.


A ressurreição coloca o ónus da prova nas mãos dos não crentes. Não é suficiente simplesmente não acreditar na ressureição. Você precisa ter uma explicação alternativa que seja viável historicamente. Uma explicação alternativa para eventos comprovados historicamente: O túmulo vazio, as testemunhas oculares de Jesus ressurrecto e o nascimento do cristianismo.

Normalmente, se juntarmos os argumentos mais comuns para refutar a idéia da ressurreição, nós vamos chegar a algo parecido com a seguinte declaração

“As pessoas naquela época não tinham nosso conhecimento científico a respeito do mundo. Eles eram presas fáceis para relatos de que alguém ressuscitou dos mortos, porque eles acreditavam que eventos como a ressurreição eram completamente possíveis. Por sua vez, os seguidores de Jesus, inconsoláveis com o fato de terem perdido aquele que eles acreditavam seria o grande libertador do povo deles, começaram a sentir que ele ainda estava com eles, guiando eles, vivendo no coração deles. Com o passar dos anos, para explicar estes sentimentos, novas histórias foram desenvolvidas e se tornaram o que hoje temos nos evangelhos.”

O parágrafo anterior pode parecer perfeitamente plausível para qualquer pessoa hoje em dia, mas somente porque somos ignorantes quanto ao contexto histórico e cultural da época. Com o objetivo de manter este post curto, eu vou fazer afirmações que carecem de mais desenvolvimento, e, nos próximos dias e semanas, vou fazer posts separados para cada uma destas afirmações. Comecemos com a idéia de que jovens judeus, entre 20 e 30 anos, teriam motivos para inventar a ressurreição.

No primeiro século houveram vários outros movimentos messiânicos em que os possíveis messias foram executados[1], entretanto em nenhum destes casos nós ouvimos a minima menção de que os seguidores saíram clamando que seu líder ressuscitou dos mortos. Eles sabiam muito bem que uma ressurreição seria impossível de se manter privada. Sempre que um líder destes movimentos era executado, seus seguidores tinham duas opções, abandonar o movimento ou achar um novo líder. Sair por aí falando que seu líder havia ressuscitado simplesmente não era uma opção.

Dezenas de jovens líderes judeus tiveram sua vida finalizada da mesma maneira que Jesus. Porque os discípulos de Jesus chegaram a conclusão de que a crucificação não foi uma derrota mas um triunfo a não ser pelo fato de que eles realmente o viram ressuscitado?


Os primeiros cristãos com certeza experimentaram algo tão convincente que eles estavam dispostos a seguir os ensinamentos de Jesus, não importa qual fosse o custo. E segundo eles mesmos, o que eles experimentaram, foi um encontro real com Jesus ressurrecto.

Você pode discordar deles, e tentar explicar de alguma outra maneira, mas como diz o novelista japonês Shūsaku Endō, escritor do livro Silence, indicado ao Oscar de melhor filme, “se não acreditarmos na ressurreição, corremos o risco de, ao tentar explicar o que aconteceu com os primeiros cristãos, inventarmos alternativas ainda mais inacreditáveis.”

[1] Entre outros, vale citar Simon bar Kokhba, Judas Maccabeus e Simon Bar-Giora