Natal, uma festa pagã - Guia Definitivo [1/3]

Tentar misturar o significado de duas festas apenas porque elas compartilham a mesma data é ingenuidade...

Posted by Fellipe Brito on December 14, 2016

Vamos direto ao ponto:

O natal NÃO tem origem pagã.

Eu nasci no mesmo dia que o Rubens Barrichello! Sabe o que isso significa? Isso mesmo, nada!

Você pode tentar dizer que na casa do Rubinho há bolos e bexigas no mesmo dia que há bolos e bexigas na minha casa… sabe o que isso significa?!? Isso… Nada!

Tentar misturar o significado de duas festas apenas porque elas compartilham a mesma data é ingenuidade (ou canalhice mesmo).

Por favor, Não confunda Tratado de Tordesilhas com tarado atrás das ilhas.

Sim, houveram festas pagãs que eram celebradas no inverno do hemisfério norte, uma delas, a celebração de saturno (https://pt.wikipedia.org/wiki/Saturnalia). Essa festa era um grande acontecimento cultural. Todos participavam. Algo como o Carnaval ou as festas de São João.

Alguns historiadores acreditam que, uma vez que ninguém sabe ao certo quando Jesus nasceu a igreja então decidiu celebrar o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro. Essa decisão traz alguns benefícios para os cristãos da época. (1) Eles teriam uma festa para ir na mesma época em que toda a cidade estava em festa. Era uma alternativa ao evento pagão da época. Um ato de contra cultura, com conteúdo bíblico que protegia os cristãos da tentação. (2) Essa era uma excelente maneira de introduzir Jesus ao mundo pagão. Os cristãos agora tinham uma festa na mesma época. Uma oportunidade de compartilhar a nova religião que estava chegando a culturas que nunca tiveram nenhum contato com o Deus de Israel, seus profetas e suas escrituras.

Esse é um movimento comum de missionários. Pegar um evento cultural que é “ofensivo” as tradições cristãs e redimi-lo. Redefini-lo. Reinventá-lo com um novo significado. Não é isso que tradicionalmente fazemos com nossos retiros espirituais de carnaval?

O mesmo foi feito pelo próprio Deus através de Moisés. Desconhece-se com precisão a origem da circuncisão. O mais antigo documento escrito é proveniente do Antigo Egito (http://www.unaids.org/sites/default/files/media_asset/jc1360_male_circumcision_en_0.pdf). Essa já era uma prática Egípcia, muito provavelmente com significados religiosos, e o que Deus e Moisés fizeram? Eles pegaram este evento cultural e reinventaram ele. A maioria dos cristãos não tem problema com a prática da circuncisão pelos Judeus, mas não seria a origem ideológica de tal prática totalmente pagã? Porque usamos dois pesos e duas medidas (Aliás, uma prática muito comum na igreja evangélica atual)

Outro exemplo? Lucas nos conta em Atos 17 que Paulo utilizou-se de um elemento cultural para introduzir a pessoa de Jesus aos Gregos

“Paulo pôs-se em pé no Aerópago e discursou: “É claro que vocês, atenienses, levam sua religião muito a sério. Eu, recém chegado, aqui, fiquei fascinado com a quantidade de santuários. Então, encontrei um deles com uma inscrição: AO DEUS QUE NINGUÉM CONHECE. Estou aqui para apresentar a vocês justamente esse Deus, para que possam adorá-lo com inteligência, sabendo, com quem estão lidando.”

Paulo fala que o Deus que ele anuncia é O MESMO que os atenienses honravam. Paulo dá um novo significado A UM ALTAR PAGÃO.

Se Moisés e Paulo puderam fazer isso, não me parece errado que os cristãos do quarto século tenham optado por fazer o mesmo. A igreja tem LIBERDADE para REINVENTAR eventos culturais com um novo significado espiritual.

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